Investigados pela Polícia Federal por suspeitas de desvios em mercados públicos, o governador do Acre e pré-candidato à reeleição, Gladson Cameli (PP), respondeu nesta sexta-feira 14 às questões levantadas contra sua liderança. Em entrevista ao UOL News, ele negou as irregularidades e disse que está interessado em esclarecer, “o mais rápido possível”, o que chamou de “pontos de dúvida”.
“Quem quer que seja um funcionário público hoje, que está de plantão, como eu como funcionário do governo, queremos estar preparados, prontos, para condições como esta”, disse ele. “As instituições, a Polícia Federal, a Controladoria-Geral da União e outras agências têm todo o direito de explicar suas dúvidas. “
As suspeitas se tornaram públicas em dezembro, quando os FPs introduziram a Operação Ptolomeu e prenderam o chefe de gabinete do governador.
Ao UOL, Cameli disse estar “pronta para colaborar com os órgãos de investigação”. “Tentei ficar calado, porque uma palavra, um gesto, pode interpretar que eu preciso ter vergonha”, disse ele. Não criar problemas que possam interferir nas investigações, é o mínimo que posso fazer. “
Investigadores suspeitam que o governador agiu para minar a Operação Doses de Valores, deflagrado em junho do ano passado e que acabou por deixar Cameli em meio a suspeitas de irregularidades descobertas em Ptolomeu. A suspeita é de que a ação divulgada, o que teria permitido ao executivo decretar um ponto facultativo exatamente no dia em que a Polícia Federal executaria as ordens de busca e sequestro. Na época, a justificativa para a medida era o alívio do trânsito da pandemia, mas 11 dias depois, o governo legalizou a reabertura do comércio.
“Estou esperando que essas investigações sejam concluídas para que eu possa me proteger e me expor à sociedade que não endosso, não estou satisfeito com nenhum tipo de irregularidade”, resumiu Cameli. “Eu me contento com a verdade com as instituições. Preciso, o mais rápido possível, que esse cenário seja esclarecido. “
Ao comentar a evolução de seu patrimônio desde que assumiu o cargo, um dos temas centrais utilizados para justificar a tese do enriquecimento ilícito, o governador atribuiu a expansão à “inflação”. O Ministério Público Federal (MPF), que supervisiona as investigações, estima que o enriquecimento ilícito do governador é de pelo menos R$ 2 milhões. Seu aumento líquido de R$ 2,9 milhões em 2018 para R$ 6,4 milhões, segundo a pesquisa.
“Aí a construção, porque você sabe: o que 80 cobra é 160. Aqui é natural essa consulta de expansão da equidade. Mas tudo tem sua origem e é declarado. R$ 100 mil, hoje é R$ 200 mil, é R$ 300 mil. O que posso dizer, para garantir, é que esse acúmulo se deve a esse desafio da inflação”, disse.
Questionado sobre a explicação do motivo da investigação, Cameli disse que sua ligação está preocupada com a investigação por meio de empresários.
“Há um procedimento de investigação de um caso seguro. Dois empresários, quando discutiram meu nome, automaticamente chamaram a atenção para o gerente geral”, disse.
A investigação foi estruturada com base em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que relatou uma série de movimentações monetárias suspeitas envolvendo o governador. As transações relatadas ultrapassam R$ 828 milhões. Estes vêm com depósitos fracionados em dinheiro, uso de intermediários para pagamento de contas não públicas, aquisição de carros de luxo subfaturados com movimentação de créditos, contratos imobiliários com uso de laranjas e movimentações de empresas fictícias. R$ 956 mil entre agosto de 2018 e novembro de 2021.
“São transações que o Coaf identifica. Tudo o que eu pagar, seja com cartão de crédito, boleto bancário, em dinheiro, terei que ter a origem. Tudo isso vai ficar claro. Eles estão na origem desses recursos. É com isso que os grupos empresariais da minha família e da minha família estão lutando”, disse ele. “Assuntos públicos”, corrigiu sobre os pagamentos.